Willow Creek

A calmaria antes da tempestade


A principal característica do found footage é a seguinte: quase sempre a proposta (leia-se: roteiro) é embasado em lendas e mitos, ou seja, em culturas locais que apresentam indícios estranhos e paranormais. É basicamente pegar algumas indagações clássicas em que, não houve ainda uma resposta satisfatória, mas que mexe com o imaginário das pessoas, e criar uma situação em cima disso. Willow Creek, basicamente, é isso. 

Localizado na Califórnia, Willow Creek é um recenseamento local designado em Humboldt County, Estados Unidos. A pequena vila é conhecida como a capital do Pé-grande e tem até um festival anual sobre a criatura. O lugar também é
conhecido pelo icônico Pé-grande filmado por Roger Patterson em companhia de Robert Gimlin em 1967 (que até hoje ninguém conseguiu provar a sua não veracidade). 

Jim (Bryce Johnson), crente aos fatos, tem o sonho de retraçar os passos de Patterson e Gimlin, sua namorada Kelly (Alexie Gilmore), cética ao mito, o acompanha... Antes de continuar, gostaria de frisar que: este não se trata de um filme de terror, não há momentos para sentir medo, muito menos momentos que possam gerar sustos. O que torna o filme interessante é justamente a espécie de documentário (visivelmente improvisado) que o diretor Bobcat Goldthwait utiliza - explorando a cultura local e as configurações do ente produzido pelo imaginário popular, e é aí que a película alcança uma escala interessante de veracidade e imersão

Em cada canto da pacata comunidade, há influência do Bigfoot: seja em hotéis, ou lanchonetes (inclusive o pão do sanduíche, tem o mesmo molde da pegada encontrada em Bluff Creek, em 1958, por Jerry Crew). Há estátuas; um mural interessante envolvendo uma provável reminiscência entre pessoas e criaturas. Além da rápida entrevista com Steven Streufert e com Tom Yamarone, cantando a balada Rode Out That Day, e do relato de duas testemunhas que afirmam ter visto a criatura. 

Willow Creek não diverge em nada dos demais lançamentos da média do gênero, todos têm praticamente a mesma dinâmica e construção de enredo, não há muita diferença entre um e outro, na verdade são bem semelhantes, os finais costumam ser quase que os mesmos, o que muda, realmente são os locais, o mito/lenda e os atores poucos ou não conhecidos. E são eles, geralmente, que fazem a diferença nessas propostas. 

Bryce Johnson e Alexie Gilmore são carismáticos o suficiente para tornarem a experiência agradável, quando a trama exige mais, ambos conseguem dar veracidade à situação. A longa cena da barraca, feita em um único plano e sem cortes, é boa nem tanto pelo suspense e tensão da cena, mas sim pela boa atuação da dupla. 

O maior problema de Willow Creek é o seu final, demasiadamente corrido. O diretor trabalhou muito bem no primeiro ato - explorando a cultura da comunidade -, criou um bom clímax no acampamento, mas arruinou completamente tudo em seguida. É uma pena, pois o filme tinha certo potencial para entregar algo mais satisfatório.

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