A Múmia
Parece ruim, mas não é
Em vários momentos questionei algumas decisões e situações que, a princípio, estavam fora de contexto e não faziam sentido algum na trama, mas que, para minha surpresa, ao fim, tudo acaba fazendo sentido dentro da proposta do filme. Pareceu que ia ser ruim, mas não foi.
A Múmia (2017) é uma grata surpresa porque não é uma filme tão previsível assim. Embora o trailer mostre algumas coisas — por exemplo, após a queda do avião, percebemos que o personagem de Tom Cruise, Nick Morton, sobrevive —, não entrega nada além disso. Há reviravoltas interessantes, mas não há que se levar a sério tudo isso, já que a aventura em si é, e não poderia ser diferente, fantasiosa, absurda, mirabolante e, por vezes, cafona. E A Múmia abraça tudo isso sem medo de ser feliz.
O ritmo da aventura é agradável. Há momentos de sequências de ação, outras de tensão, e alguns alívios cômicos. Dizem que Tom Cruise teve controle excessivo na produção e também na pós-produção. Bem, essa tríade é característica dos filmes do ator, e sempre funciona muito bem, e aqui não foi diferente: porquanto é um filme pipoca que entretém.
Destaca-se também o visual de Ahmanet, porém incomoda sua subutilização, já que a interpretação de Sofia Boutella é peculiar. Contudo, isso não é mais um problema quando você compreende que, embora o título seja A Múmia, o filme não é só sobre isso. Há um universo a ser expandido, e pode-se dizer que este, como sendo o primeiro filme do universo compartilhado de monstros da Universal, é eficiente neste sentido, já que apresenta de maneira simples, porém interessante, a Prodigium — que é uma sociedade secreta que busca criaturas sobrenaturais em nome do Museu de História Natural de Londres (boa sacada!) — e seu líder: o intrigante Dr. Henry Jekyll (Russell Crowe). Versátil e interessante foram os easter eggs encontrados numa rápida cena, em um sala de pesquisas e amostras, de outras criaturas, introduzindo-as tacitamente neste universo.
Assisti A Múmia sem expectativa alguma e acabei me surpreendendo com ele, mas confesso que o segredo aqui é tentar aceitar o filme como ele é, e não como um simples remake, caso contrário, você irá odiá-lo com todas as forças, porque você ama Brendan Fraser.

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