Vida
Ctrl C + Ctrl V, com ressalvas
Após Crimes Ocultos (subestimado), Daniel Espinosa novamente nos entrega um bom filme, só que desta vez uma obra mais acessível, escapista, um blockbuster. Vida é uma ficção científica de terror claustrofóbico que se passa no espaço, tendo como tema justamente o que dá nome ao título: vida.
Há muito tempo que nós, humanos, estamos fazendo pesquisas em Marte à procura de vestígios de vida. Em Vida, não só achamos, como também já há pesquisas em andamento do micro-organismo celular encontrado em solo marciano. E isso está sendo feito, por questões de segurança, na órbita terrestre, numa Estação Espacial Internacional.
É óbvio que havia riscos na Missão Pilgrim 7 de Marte. O problema, justamente, é que a primeira prova incontestável de vida fora da Terra revelou-se uma ameaça. A criatura, nomeado Calvin, munido de inteligência e super-resistência, escapa do laboratório de testes pondo a tripulação em apuros. Calvin tem apenas um objetivo: sobreviver. Tem até um diálogo interessante, entre dois tripulantes, que faz analogia à metafóra existente em As Aventuras de Pi para justificar a atitude instintiva de Calvin que não se difere da nossa.
Falando em analogia, Vida, com certeza, pode muito bem ser encarado como um filme de pouca originalidade - porquanto sua estrutura é um aparato de tudo aquilo que funcionou em outros filmes do gênero -, e ser execrado por isso. Contudo, essa falta de originalidade também pode ser vista como reverência, por parte do Espinosa, a outras obras do gênero, que vai de 2001 - Uma Odiseia no Espaço a Alien - O Oitavo Passageiro.
Há inúmeras referências, podendo ser encontradas mais implicitamente, por exemplo, um simples enquadramento com uma paleta de cor que remete a 2001; ou explicitamente, quando de seu final, parecidíssimo a O Oitavo Passageiro. Mas, porém, todavia e entretanto, esse final - que contém a grande reviravolta da trama - não é tão original assim, já que lembra bastante outra ficção: Infectados (Strandes), com Christian Slater.
E sobre previsibilidade, a trama segue um caminho linear e clichê, sem grandes reviravoltas. Não obstante, há erros infantis, concernente à física empregada, ao abordar a atmosfera e as características do espaço. A coisa fica pior se compararmos com duas obras recentes do gênero que foram solenes neste sentido: Gravidade e o belíssimo Interestelar.
Da parte técnica, todavia, não há do que reclamar: figurino, ambientação, efeitos e som. Destaque-se este último. A trilha sonora, aguda e crescente corrobora e muito aos vários picos de tensão. A direção do Daniel Espinosa, demonstra sua capacidade e versatilidade, já que o estilo de filmar é diferente de Crimes Ocultos (estilo câmera na mão de urgência, a mesma da franquia Bourne). A introdução do filme, filmado em um plano-sequência, é extremamente interessante ao explorar os tripulantes em atividade na estação espacial, nos situando naquele ambiente. Interessante também foi aquele jogo de câmeras no final, com intuito de aguçar a curiosidade do público ao mesmo tempo tentando confundi-los; pena que não funciona com todos.
Por falar em tripulantes, o elenco de Vida é ótimo, e as atuações são boas! O cada vez melhor, Ryan Reynolds, interpreta, novamente, um personagem canastrão, porém sua atuação é extremamente convincente ao transmitir medo e tensão quando seu personagem está enfrentando Calvin (momento esse, bastante angoniante). Hiroyuki Sanada e Ariyon Bakare, mandaram bem também. Já o ótimo Jake Gyllenhaal, e a bela e talentosa Rebeccca Ferguson, embora atuem de maneira correta, não se destacam em momento algum.
Vida não objetiva entregar algo além do que é. Se propõe em ser um suspense claustrofóbico, e realmente é. Tem problemas? Sim, como qualquer outro filme. Relevando os clichês, e a inércia de originalidade, Vida é bom; ainda mais se você estiver atrás de algo tenso, gore e que proporcione uma certa dose de agonia.
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