Diablo

O homem e seus demônios


Diablo (2015) se passa no Colorado, EUA, 1872, 7 anos após a guerra civil, onde, um bando sequestra Alexsandra (a linda Camilla Belle), esposa de Jackson (Scott Eastwood), e ainda por cima queimam sua casa por inteiro. Jackson então pede ajuda a vizinhos, para que eles tragam toda a munição que conseguirem, pois ele partiria em busca dos sequestradores que foram em direção ao México. 

Entre as tomadas aéreas, explorando a belíssima geografia do lugar, e a competente trilha sonora, dava a impressão de que o diretor Lawrence Roeck - que também assina o roteiro junto com Carlos De Los Rios - não sabia bem onde queria chegar. Isso porque o primeiro e segundo ato de Diablo é monótono e aparentemente confuso, já que enclausura apaches - liderado por Nakoma (Adam Beach) - e o frio Ezra (interpretado pelo sempre competente Walton Goggins) de maneira deslocada na trama. Mas que, na realidade, acabam servindo como justificativa narrativa para a grande reviravolta do filme: inverter valores de personagens. E essa reviravolta tornou o terceiro ato movimentado, imprevisível e incomum ao gênero

Portanto, não estamos diante um western tradicional, já que esse mistura suspense e uma dose de horror/trauma psicológico. O problema do filme não reside necessariamente em seu final (leia-se conclusão, que particularmente gostei), mas sim em deixar questões sem respostas do tipo: "O que você queria era uma fantasia. Quantas outras mulheres você já fez passar por isso?". Em suma, o filme acaba e não preenche lacunas sobre o passado do Diablo, mesmo que Benjamin Carver (Danny Glover) acabe elucidando algumas. 

Em essência, Diablo aborda o destino manifesto americano. É violento e cruel. Retrata o homem em um estágio primitivo, em que pareciam durões, agiam como durões, mas que não passavam de homens solitários e com medo, tentando esquecer e superar seus demônios, nem que para isso fosse preciso resolver tudo na bala. 

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